Ecocardiograma: o curinga da Cardiologia
O exame detecta desde doenças adquiridas até malformações cardíacas, sendo auxiliar nas arritmias e em algumas condições sistêmicas.

A ecocardiografia usa diversas técnicas para obter imagens bidimensionais e tridimensionais em tempo real e analisar a velocidade do fluxo sanguíneo. Métodos recentes, como Doppler tecidual e speckle tracking, permitem refinar a análise da função dos ventrículos direito e esquerdo. Em crianças e adultos, mais frequentemente, o exame é realizado pela via transtorácica e, no feto, pela via transabdominal. O eco de estresse pode ser feito com estímulo farmacológico com dobutamina ou dipiridamol ou, ainda, sob esforço físico. Já o transesofágico obtém imagens mais detalhadas, sobretudo de átrio esquerdo, valva mitral e aorta. Conforme a diretriz brasileira de 2009, o eco com Doppler e suas diferentes modalidades têm importantes indicações clínicas em adultos e crianças e na gestação, bem como em condições clínicas específicas:

• Gerais – O exame transtorácico é recomendado em pacientes com suspeita de insuficiência cardíaca ou sintomas de dispneia, assim como de doenças valvares e hipertensão pulmonar. Além disso, configura o método de escolha para avaliar a função ventricular e diagnosticar precocemente cardiotoxicidade durante quimioterapia. Tem ainda aplicação em afecções sistêmicas com potencial comprometimento cardíaco, como hipertensão arterial, doença renal, lúpus, artrite reumatoide e outras, servindo também para o diagnóstico diferencial com doenças pulmonares. Vale considerar o papel relevante do eco transtorácico e, eventualmente, do transesofágico no diagnóstico e no prognóstico da detecção de vegetações em pacientes com suspeita de endocardite infecciosa.

• Nas crianças – É usado para investigar sopro cardíaco, cianose, dispneia, arritmias, dor precordial e condições adquiridas na infância, como febre reumática e doença de Kawasaki, bem como para seguir cardiopatias congênitas diagnosticadas após cirurgia ou intervenções. 

• Na gestação – Pode ser feito a partir da 18ª semana gestacional e está indicado em gestações de alto risco, em grávidas com mais de 35 anos, em gestações prévias com malformações cardíacas ou gerais, vistas ao ultrassom morfológico, em anomalias cromossômicas e em arritmias fetais. Pelo fato de haver alto percentual de recém-nascidos com tais achados, mas sem fatores de risco ou suspeita durante a gestação, alguns advogam a indicação do exame em todas as gravidezes como forma de rastrear e complementar o ultrassom morfológico. 

• Na doença arterial coronariana estabelecida – Após o diagnóstico, o ecocardiograma avalia a função ventricular e é útil no seguimento clínico para detectar complicações. Os testes de estresse físico ou farmacológico com imagem ecocardiográfica podem identificar isquemia. 

• Em arritmias – O exame consegue detectar doenças cardíacas estruturais responsáveis pelas arritmias ou por suas complicações. Nos pacientes com fibrilação atrial, a técnica transesofágica pesquisa trombos atriais, antes de cardioversões ou de ablações.

01 de setembro de 2019